
A Bahia avança no projeto de construção da Ponte Salvador-Itaparica, empreendimento que promete se tornar a maior ponte da América Latina sobre lâmina d’água. Com 12,4 quilômetros de extensão sobre o mar, a estrutura será o principal eixo do Sistema Viário Oeste, planejado para conectar Salvador à Ilha de Itaparica e ampliar a integração entre diferentes regiões do estado.
O investimento total estimado é de R$ 11,6 bilhões. Desse montante, R$ 3 bilhões correspondem ao aporte do Governo Federal, anunciado após articulações em Brasília com a participação de representantes dos governos federal e estadual.

O anúncio foi divulgado pelo senador Jaques Wagner (PT), após reunião na Casa Civil da Presidência da República, com a presença do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e de outras lideranças políticas baianas.
“É a garantia de que o processo agora não para mais. Pegou pressão, pegou ritmo, e nós vamos ver essa ponte para a alegria dos baianos e dos turistas que vão nos visitar”, declarou Wagner ao comentar o avanço do financiamento.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também se manifestou sobre a liberação dos recursos e destacou a importância do empreendimento para a Bahia.
O planejamento financeiro do projeto prevê recursos de diferentes fontes para viabilizar a construção.
A obra está estruturada por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP) e integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Na Ilha de Itaparica, a chegada da ponte está prevista para a região da Gameleira, no município de Vera Cruz. A conexão deverá modificar a dinâmica de deslocamento entre a ilha e Salvador, atualmente realizada principalmente por meio do sistema ferry-boat e das lanchas que fazem a travessia da Baía de Todos-os-Santos.
Além da estrutura principal, o projeto contempla uma série de intervenções rodoviárias para melhorar a circulação de veículos na ilha e no continente.
Entre as obras previstas estão uma via expressa de aproximadamente 22 quilômetros na Ilha de Itaparica, a duplicação de um trecho de oito quilômetros da BA-001, entre Tairu e a Ponte do Funil, e uma variante rodoviária destinada a desviar parte do tráfego de Mar Grande.
Em Salvador, o sistema prevê estruturas viárias complementares, incluindo túneis, viadutos e conexões com a Via Expressa e as avenidas Jequitaia e Engenheiro Oscar Pontes.
A expectativa é que o empreendimento contribua para fortalecer o turismo, ampliar as oportunidades de negócios e facilitar o transporte de pessoas e mercadorias entre a capital, a Ilha de Itaparica e outras regiões da Bahia.
A melhoria da conexão rodoviária também poderá favorecer atividades econômicas ligadas ao comércio, aos serviços, à construção civil e ao setor imobiliário.
Para os moradores de Vera Cruz, Itaparica e municípios vizinhos, a implantação do sistema viário representa uma mudança importante na infraestrutura regional. Entretanto, os efeitos concretos dependerão da execução do projeto, das condições de acesso e do planejamento dos serviços públicos para acompanhar o crescimento da circulação de pessoas.
Antes da definição das fundações da ponte, foram realizadas sondagens para investigar as características geológicas do solo marítimo ao longo do traçado previsto.
Os trabalhos começaram em janeiro de 2024 e se estenderam por aproximadamente 14 meses. Segundo as informações divulgadas sobre o projeto, foram executados 105 furos de sondagem, com coletas que, em determinados pontos, alcançaram até 200 metros de profundidade.
As investigações abrangeram desde áreas mais rasas, próximas a Vera Cruz, até o canal central da Baía de Todos-os-Santos, onde a lâmina d’água chega a aproximadamente 67 metros.
Os estudos são fundamentais para orientar o projeto das fundações e avaliar as condições necessárias à construção de uma estrutura dessa dimensão.
Com o avanço das medidas relacionadas ao financiamento e dos estudos técnicos, a Ponte Salvador-Itaparica permanece como um dos principais projetos de infraestrutura da Bahia.
A concretização do empreendimento, no entanto, depende do cumprimento das etapas previstas para a implantação da obra.
Para a população da Ilha de Itaparica, a expectativa envolve não apenas a redução do tempo de deslocamento até Salvador, mas também a geração de empregos, o fortalecimento da economia local e a ampliação do acesso a serviços.
O desafio será garantir que os benefícios da nova ligação viária sejam acompanhados de planejamento urbano, investimentos em infraestrutura e medidas para preservar o patrimônio ambiental e cultural da região.
A TARDE